Dia da Consciência Negra

Por RM & Advogados - Assessoria de Imprensa ∙ 20 de novembro de 2017

Prezados e Prezadas Colegas,

Num país em que a cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras; em que o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%, ao passo em que o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10%; em que 61,6% da população carcerária é composta por negros e negras; em que 67% dos negros estão incluídos na parcela da população que recebe até 1,5 salário mínimo – enquanto, entre os brancos, esse percentual é de 45%; em que somente no ano 2089 brancos e negros terão uma renda equivalente (mais de 200 anos após a abolição da escravatura); em que 63,7% dos 14 milhões de desempregados são negros e negras; em que apenas 6,3% dos gerentes e 4,7% dos executivos de empresas são negros e negras (a rigor, as mulheres negras somam apenas 1,6% e 0,4%, respectivamente); em que 15,4% dos magistrados e magistradas são negras; em que 10% dos livros nacionais publicados entre 1965 e 2014 foram escritos por autores e autoras negras e em que apenas 31% dos filmes nacionais que alcançaram as maiores bilheterias entre 2002 e 2014 tinham atores e atrizes negras em seu elenco, quase sempre interpretando papeis associados à pobreza e à criminalidade, Esperança Garcia e Luiz Gama – nossos heróis – não podem ficar relegados ao passado, como uma lembrança longínqua de tempos pretéritos de luta e resistência racial. Eles precisam ser resgatados e projetados para o nosso presente e o nosso futuro, a fim de que as suas vidas sirvam de motor para a eliminação desse assombroso abismo racial que há no Brasil. Não há Justiça Social sem Justiça Racial e, portanto, esta se afirma como prioritária na Missão de nosso escritório, tanto interna quanto externamente. Passamos por uma segunda abolição no país – não a dos corpos, mas a das subjetividades – e o nosso escritório pode e deve contribuir e fazer parte desse movimento.
Que essa seja a nossa reflexão neste Dia da Consciência Negra!